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Tecnologia de monitoramento do Aedes pode detectar a Febre Amarela no vetor

Recentes surtos geram a necessidade de acompanhar de perto a circulação viral do mosquito

 

Nos últimos anos, a preocupação com a Febre Amarela tem se reacendido nas cidades brasileiras. O vírus circula no Brasil apenas em sua forma silvestre, e desde a erradicação da Febre Amarela Urbana em 1942, se concentrava em florestas e áreas rurais. No entanto, desde 2014, a modalidade silvestre passa por uma propagação. Hoje, ela já circula em regiões metropolitanas de maior contingente populacional.

Para se ter uma ideia da rapidez com que essa situação vem se agravando, de um ano para outro, o risco que atingia 8,9 milhões de pessoas, hoje coloca 32 milhões de pessoas em risco. Inclusive em áreas nunca antes atingidas pelo vírus. Ainda falamos apenas da Febre Amarela Silvestre, mas os recentes surtos levantam a possibilidade de que o vírus possa voltar para as cidades.

Nas florestas, os responsáveis pela transmissão são os mosquitos Haemagogus e Sabethes, enquanto nas cidades o perigo está no Aedes aegypti. No surto atual, não houveram casos de contaminação pelo Aedes, mas o monitoramento virológico do vetor é imprescindível para prevenir a volta da Febre Amarela Urbana.

 

Como ter certeza de que o Aedes não está infectado com Febre Amarela?

Para responder essa pergunta, a Ecovec desenvolveu a padronização de um ensaio para detectar Febre Amarela no mosquito, que soma à análise já realizada pelo MI-Aedes. O MI é um sistema de monitoramento integrado do vetor, que oferece uma fotografia semanal da situação do Aedes aegypti na região. Ele mapeia as áreas onde há infestação, quais arbovírus esses vetores estão carregando e o nível de risco de aparecerem casos no local monitorado.

A análise virológica, que identifica a circulação viral no mosquito, é de suma importância nesse processo. Um mosquito infectado pode carregar uma ou mais arboviroses, o que pode ser verificado em laboratório.

A Ecovec trabalha com um “padrão ouro de detecção”, uma técnica de biologia molecular chamada PCR em tempo real. Ela já detectava a presença dos vírus da Dengue (sorotipos 1, 2, 3 ou 4), Zika, Chikungunya e, agora, também consegue acusar a Febre Amarela.

“Esse padrão de detecção, que chamamos de padrão ouro, é uma metodologia sensível para detectar pouca concentração de vírus – afinal, analisamos cada fêmea do Aedes coletada. A PCR precisa ser rápida em sua liberação de resultado e extremamente específica para cada arbovirose. Como elas se parecem muito, é necessário um cuidado muito grande para não gerar resultados com reação cruzada,” explica Bruna Diniz, coordenadora da virologia na Ecovec.

A adequação do método é uma resposta a essa necessidade epidemiológica. Mais do que nunca, é preciso acompanhar de perto a circulação viral do mosquito. Para prevenir a volta da  Febre Amarela Urbana, o melhor caminho é o controle do Aedes aegypti. Saiba mais sobre o funcionamento do MI-Aedes aqui.